Sentar em uma das mesinhas do Bar Ocidental é estar diante de um Rio de Janeiro autêntico, o da vida real, bem distante do Rio das praias de Ipanema, Leblon e Copacabana.
A começar por seu carro-chefe gastronômico: a sardinha, um dos peixes mais econômicos e fáceis de encontrar nos mercados populares. Aqui, seu preparo ganhou uma receita original, que se espalhou pela cidade. A sardinha, sempre fresquinha, é aberta, limpa, empanada e frita. Chega ao cliente empilhadas, umas sobre as outras. Simples, gostosa e fácil de comer. No bom humor local, ganhou a simpática alcunha de ‘frango marítimo’. Para beber, cerveja ou chope gelados.
Não é um lugar bonito nem confortável. Nem para ver e ser visto. É para se viver. A maior parte das mesas fica espalhada no calçadão em frente ao bar. Tem aquele ar de caos controlado dos melhores botecos cariocas, com um atendimento rápido, simpático, mas sem muita conversa. Não por acaso, foi reconhecido em 2023 como Patrimônio Cultural Carioca.
O botecão, com 70 anos bem vividos, surgiu em 1956 do empenho de três irmãos portugueses, Fernando, Alvarinho e Eduardo, vindos da cidade do Porto.
Fica na Rua Miguel Couto, no centro da cidade, perto do cruzamento das avenidas Rio Branco e Getúlio Vargas, uma região de muitos escritórios, e a uma caminhada de 10 minutos da Praça XV, de onde saem e chegam as barcas para Niterói e outras localidades.
No auge, nos anos 1980, o trio chegou a administrar outros endereços na mesma quadra, mantendo o cardápio.
Foi nessa época que o pedacinho começou a ser chamado de Beco das Sardinhas, ou Triângulo das Sardinhas
Chegaram a vender inacreditáveis 144 mil unidades em uma noite.
Atualmente, o local passa por um renascimento, depois de anos em baixa, com a chegada de bares vizinhos mais modernos.
Ainda assim, o Ocidental mantém o protagonismo. Nos dias de semana, o happy hour é animado pelos trabalhadores das redondezas, às vezes com pagode, mas sempre com um burburinho educado.
Os turistas costumam aparecer no fim de semana para satisfazer o estômago depois de caminhar pelo centro histórico ou visitar o Museu do Amanhã, que também fica ali pertinho. É hora de comer um pê-efe com o sabor do Rio, com arroz, feijão preto, salada de batata e, é claro, sardinhas, por um preço muito justo, bem diferente do que costuma ocorrer perto das praias famosas.


