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Em plena guerra, os ingleses montaram uma cervejaria dentro de um navio

HMS Menestheus

Cerveja sempre foi um assunto sério para os ingleses. Portanto, ninguém nas ilhas britânicas se surpreendeu com a decisão dos militares de montar uma cervejaria própria, autônoma, novinha em folha, dentro de um de seus navios durante a Segunda Guerra Mundial.

A ideia, para lá de ousada, surgiu quando a Marinha Real Britânica pensava em alternativas para manter o moral de suas tropas em combate. Afinal, o conflito se arrastava há bastante tempo e, apesar de bem encaminhado na Europa, ações militares contra o Japão estavam sendo planejadas no Pacífico.

Como manter o espírito em alta em lugares tão distantes e sem estrutura?

A solução, aprovada por Churchill, foi remodelar embarcações menos modernas para atuar com objetivo de servir como pontos de encontro e de lazer para os combatentes no cenário asiático.

Uma espécie de navio-balada, com uma sala de teatro (para 350 pessoas), cinema, piscina, bares, cantinas, espaços de convivência, uma sala em que os militares podiam gravar a própria voz em discos para mandar para casa e, claro, como bons ingleses, uma cervejaria completa.

No fim, apenas um desses amenity ships (em bom inglês) com cervejaria saiu dos estaleiros: o HMS Menestheus, um ex-lançador de minas que operou no Atlântico Norte nos primeiros anos da guerra.

A reformulação de sua estrutura ocorreu em Vancouver, no Canadá. O porão dianteiro foi reservado para a instalação do coração da cervejaria, uma panela de cobre com capacidade de produzir o equivalente a 55 barris ao mesmo tempo. Ali também ficavam os seis tanques de fermentação. A estrutura era aquecida pelo sistema de vapor dos boilers do navio.

Um filme, produzido em 1946 e preservado pelo Imperial War Museum (VER AQUI), mostra todo o processo de fabricação a bordo: a dessalinização da água, a dissolução do extrato de malte, a adição do concentrado de lúpulo, a fermentação e o armazenamento.

A cervejaria ganhou o apropriado nome de Davy Jones’ Brewery, em homenagem a uma figura lendária do folclore marítimo inglês. Sua capacidade de produção era de 250 barris por semana. Parte da cerveja podia ser colocada em pequenos barris metálicos para distribuição às tropas em terra.

O mestre-cervejeiro George Brown, ligado à tradicional Truman’s Brewery, de Londres, foi convocado para fazer a mágica acontecer. O resultado, que ficou famoso nos mares do Extremo Oriente, foi uma mild ale inglesa, escura, com cerca de 3,7% de teor alcoólico.

O fim da guerra chegou antes da cerveja sair das torneiras. Ainda assim, o projeto foi mantido. Isso porque muitos militares aliados permaneceram em territórios estratégicos enquanto eram colocadas em prática as medidas para consolidar a paz.

O HMS Menestheus passou, por exemplo, pelos portos de Yokohama e Kure, no Japão, Xangai, na China, e Hong Kong. Naquele momento, Churchill já havia deixado o comando do governo inglês – e não há registro de que ele tenha experimentado uma das cervejas mais inusitadas da história inglesa.

THE ROYAL NAVY DURING THE SECOND WORLD WAR (A 9988) The auxiliary minelayer HMS MENESTHEUS, a converted Mercantile ship moored at a minelaying base on the Kyle of Lochalsh. Copyright: © IWM. Original Source: http://www.iwm.org.uk/collections/item/object/205119538

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