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O que os alemães bebiam na Paris ocupada na Segunda Guerra

O Barman do Ritz de Paris é um daqueles livros com todos os ingredientes para virar um filmaço. É também uma aula para quem gosta de drinques bem feitos e história.  

Seu autor, Philippe Collin, remonta fatos reais para trazer uma narrativa envolvente que tem como pano de fundo a ocupação alemã na capital francesa durante a Segunda Guerra.

O protagonista é Frank Meier, judeu de origem austríaca responsável pelas coqueteleiras do hotel mais chique de Paris naquele período e que, por mistérios do destino, é obrigado a servir os nazistas durante a invasão.

O roteiro explora com habilidade os conflitos internos de Meier, com sua atuação para salvar judeus que permaneceram em Paris, e todo jogo de cintura do staff do cinco-estrelas para atender aos hóspedes indesejáveis – e, sim, também a parisienses colaboracionistas.

Só que para o Cultura de Bar o mais legal é desvendar o que era servido por aquele balcão, de doses puras os coquetéis preparados por Meier e seu assistente, Luciano, também judeu, mas nascido italiano.

É claro que saíam obviamente muitas taças de champanhe e as inflacionadíssimas garrafas de de Bordeaux 1933 (escolhida pelos hunos por ser o ano da ascensão de Hitler, mas consideradas de péssima qualidade pelos anfitriões)…

O grande diferencial do local eram os drinques de Frank Meier, bem conhecido por ter publicado o The Artistry Of Mixing Drinks, uma espécie de Bíblia da coquetelaria daqueles tempos, com mais de 300 receitas, muitas delas de autoria própria.

Os alemães e seus convidados se esbaldavam, por exemplo, com o happy honey, uma mistura com conhaque, suco de grapefruit e uma colherzinha de mel, ou com o siegfried: uma poção de aquavita, suco de limão, açúcar e uma gota de Cointreau.

Também eram pedidos o blue bird (suco de limão, gim e licor Curaçao), o pink lady (gim, grenadine e clara de ovo), o Alexandra (conhaque, crème fraîche e licor de anis) e o Frank’s special (vermute, gim e Peach Brandy), entre muitos outros.

A variedade era realmente impressionante.

O melhor é que dá para entrar no clima do bar do Ritz dos anos 1940, sem a tensão da guerra. Este link aqui traz o livro do Frank Meier na íntegra, com todos os detalhes de cada preparo. É só olhar e preparar tudo no quentinho da sua casa.

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